Um casal, identificado como Lucas Vitor Paiva Chereze e Jaqueline Isabel de Almeida Chereze, foi preso no último sábado (13/6) no Distrito Federal, acusado de desvio de dinheiro e lavagem de capitais. Eles são investigados por supostamente ter desviado mais de R$ 1 milhão de uma empresa de capitalização para financiar uma exorbitante vida de luxo e estabelecer sua própria plataforma de sorteios, a Brasília Solidária, sendo detidos enquanto planejavam fugir para os Estados Unidos.

A investigação aponta que o montante desviado, estimado em mais de R$ 1 milhão, era utilizado para custear um padrão de vida elevado e, simultaneamente, estruturar a Brasília Solidária. A prisão ocorreu em um momento crítico, quando o casal se preparava para deixar o país, com passagens já emitidas para os Estados Unidos.

Nas redes sociais, o casal exibia abertamente uma rotina de ostentação, que incluía viagens internacionais frequentes, a posse de veículos de alto padrão e a publicação de diversos vídeos de dança no TikTok. Essa demonstração pública de riqueza, segundo a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), era mantida com os recursos ilícitos da empresa de capitalização.

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As publicações digitais também documentavam estadias em hotéis e resorts de luxo, refeições em restaurantes renomados, participação em festas exclusivas e visitas a cassinos, corroborando o estilo de vida suntuoso que o casal levava.

A opulência não se restringia ao ambiente virtual. O casal residia em uma mansão localizada em Vicente Pires, no Distrito Federal, um dos elementos que, conforme as diligências, servia como evidência do elevado padrão de vida sustentado pelos investigados.

O esquema de desvio e a criação da concorrência

As apurações da 19ª Delegacia de Polícia (P Norte) indicam que Lucas Chereze, que atuava como ex-diretor financeiro da Capital de Prêmios, teria sido o responsável por desviar aproximadamente R$ 1 milhão. O objetivo seria usar esses fundos para estabelecer uma plataforma de sorteios concorrente, a Brasília Solidária, com os desvios ocorrendo há pelo menos um ano.

Ele teria se valido de seu acesso privilegiado às contas da empresa para abrir contas bancárias em seu próprio nome, redirecionar depósitos efetuados por distribuidores e realizar transferências e saques sem qualquer autorização. Esta conduta configura a apropriação indébita qualificada.

Além das infrações financeiras, Lucas Chereze também é acusado de tentar intimidar ex-funcionários e testemunhas. O intuito era impedir que eles fornecessem informações ou colaborassem ativamente com o andamento das investigações policiais.

Durante a operação de cumprimento das medidas judiciais, os agentes apreenderam um arsenal que incluía duas pistolas e uma espingarda, além de cofres, passaportes, um veículo de luxo e outros automóveis que pertenciam à empresa sob investigação.

Segundo o delegado-chefe da 19ª DP, Fernando Fernandes, a iminente viagem do casal para os Estados Unidos, agendada para a segunda-feira seguinte (15/6), foi um fator determinante que justificou a urgência no cumprimento das ordens judiciais de prisão.

O casal enfrenta acusações de apropriação indébita qualificada, associação criminosa, coação no curso do processo e lavagem de dinheiro. As penas combinadas para esses crimes podem atingir até 20 anos de reclusão.

A posição da Brasília Solidária

Por meio de uma nota oficial divulgada em seu perfil no Instagram, a defesa da empresa de capitalização informou que permanece à disposição das autoridades competentes. A empresa reafirmou seu compromisso histórico com a legalidade, a transparência, a integridade institucional e o respeito aos seus participantes.

A assessoria jurídica da instituição também destacou que continuará acompanhando de perto o desenrolar do caso e adotará todas as medidas cabíveis para assegurar a proteção dos interesses da empresa, de seus parceiros comerciais e de todos os participantes envolvidos.

FONTE/CRÉDITOS: Radar Valparaíso