O documentário Da Lata, dirigido pelo videomaker carioca Paulo Severo, resgata imagens inéditas em formato S-VHS para revelar os bastidores da criação do clássico álbum homônimo de Fernanda Abreu. Lançado em 1995, o disco marcou a consolidação do pop dançante no Brasil, unindo influências de soul, funk, rap e samba.

Com roteiro assinado pela própria cantora em parceria com o diretor, a produção percorre festivais e apresenta uma rica polifonia de vozes. Participam do projeto figuras centrais daquela época, como o antropólogo Hermano Vianna, o fotógrafo Walter Carvalho, a coreógrafa Debora Colker e o poeta marginal Chacal.

Novos sons e o encontro com a periferia

Durante a transição da música analógica para a computadorizada, Fernanda buscou se afastar do estilo da banda Blitz, seu antigo grupo. Incentivada por Hermano Vianna, ela mergulhou nos bailes periféricos e nas inovações tecnológicas, como a bateria eletrônica Boss DR-220, moldando sua identidade artística única.

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A narrativa do longa explora o caldeirão cultural que influenciou a artista, destacando gravações realizadas em estúdios no Rio de Janeiro e a mixagem em Londres. A produção musical contou com nomes de peso como Liminha e o tecladista Will Mowat, integrante do Soul II Soul, que se encantou pelo som da brasileira.

Ao relembrar o processo criativo, a artista sublinha os múltiplos significados do título do álbum. Para ela, o termo remetia tanto ao material físico quanto à gíria que atesta alta qualidade, além da franqueza expressa na frase na lata, consolidando um marco na história da música nacional.

FONTE/CRÉDITOS: Redação Online