A empresária Jaqueline Alves, moradora de Taguatinga, foi vítima do golpe do falso advogado e teve um prejuízo de quase R$ 90 mil na última semana. Golpistas utilizaram dados reais de uma ação judicial da vítima e a foto de seu defensor para simular uma audiência online via WhatsApp, induzindo-a a esgotar os recursos financeiros de sua empresa.

A abordagem começou quando um número desconhecido enviou mensagens exibindo a imagem do verdadeiro advogado de Jaqueline. Como os criminosos tinham detalhes específicos do processo judicial contra uma empresa, a vítima acreditou que se tratava de uma sessão remota legítima.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Jaqueline explicou como caiu na armadilha. “Eles roubaram meu processo, roubaram a foto do meu advogado que está por dentro desse processo e entraram em contato comigo para marcar a audiência. Era um número novo, mas como as pessoas costumam dividir o contato pessoal do profissional, não imaginei que era um perfil falso”, relatou.

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Engenharia social e simulação de audiência

Durante a falsa audiência virtual, a empresária foi orientada a realizar diversas movimentações financeiras. Sob a promessa de que os valores seriam ressarcidos ao término do procedimento, ela contratou empréstimos, solicitou cartões de crédito e efetuou transferências via Pix. Mesmo após questionar as solicitações, ela foi tranquilizada pelo farsante.

O presidente da OAB/DF, Paulo Maurício Siqueira, ressaltou que os criminosos utilizam informações públicas para aplicar o golpe. “A partir de dados como nome das partes, número do processo e identificação dos advogados, conseguem construir uma abordagem bastante convincente. Os golpistas fazem uma verdadeira engenharia social para criar uma situação de aparente legitimidade”, explicou.

Siqueira acrescentou que a fraude explora a confiança e o senso de urgência da vítima, geralmente associando a ação à liberação de valores ou ao pagamento de custas operacionais.

Impacto financeiro e orientações da OAB/DF

A fraude só foi notada no dia seguinte, quando Jaqueline ligou para o número verdadeiro de seu advogado. “Naquele momento eu perdi meu chão. Foi tudo tão real. Eles tiraram tudo que eu ia receber até o fim do ano. Tenho contas e funcionários para pagar e não sei o que fazer”, desabafou a empresária.

O rombo financeiro comprometeu o pagamento de fornecedores e o salário da equipe. Para amenizar o prejuízo e manter o negócio funcionando, Jaqueline organizou uma rifa de um iPhone.

Segundo a OAB/DF, reaver o dinheiro é um processo complexo, mas possível. O especialista orienta comunicar o banco imediatamente, registrar a ocorrência e buscar auxílio jurídico. Para evitar fraudes, recomenda-se confirmar qualquer contato novo diretamente com o escritório ou profissional por meio de ligação telefônica antes de realizar transações financeiras.

FONTE/CRÉDITOS: Glaucio teixeira