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Diversas igrejas evangélicas no Brasil estão optando por cancelar ou modificar os horários de seus cultos neste domingo, 5, durante a partida do Brasil contra a Noruega pelas oitavas de final da Copa do Mundo. A decisão, motivada pelo futebol, visa permitir que fiéis e líderes acompanhem o evento esportivo, mas tem provocado um intenso debate entre pastores e teólogos sobre a relevância do esporte em relação às atividades religiosas.
Instituições de grande porte, como a Associação Vitória em Cristo, liderada pelo pastor Silas Malafaia, optaram por cancelar a celebração noturna, concentrando suas atividades religiosas na manhã. Em contraste, outras denominações, como a Igreja Renascer em Cristo, ajustaram o início de seus cultos para o período posterior ao término do confronto da seleção brasileira.
O debate sobre as alterações nos cultos
Nos últimos dias, a decisão de adiar ou suprimir horários de cultos motivou uma calorosa discussão entre figuras religiosas, que expressaram suas opiniões em vídeos divulgados nas plataformas digitais.
De um lado, há pastores que consideram inaceitável, sob a ótica da fé, dar prioridade a um evento esportivo em detrimento das obrigações religiosas. Contudo, defensores da flexibilização argumentam que o ato de torcer pela seleção nacional, mesmo durante o período habitual de um culto, não constitui pecado.
O teólogo Ranieri Costa, doutorando em Comunicação e Cultura, contextualiza a questão, afirmando que "não é só sobre o culto". Ele aponta para uma série de fatores práticos que justificam a mudança, como a necessidade de garantir a saúde, o deslocamento e a segurança dos fiéis.
Costa também destaca a importância da comunhão familiar no dia do jogo. "Não há orientação da Bíblia sobre o horário do culto, e sim um apego de algumas lideranças evangélicas para sacralizar o horário, como se fosse mais importante do que o culto em si", complementa o especialista.
Em contrapartida, Matheus Alves, pastor da Igreja Lagoinha em Belo Horizonte (MG), expressa sua oposição: "Sou contra cancelar o culto por causa da motivação. Se for por um motivo justo, não há problema. Mas mudar por causa do futebol é algo fútil, supérfluo e pequeno".
Alves ainda alerta para os precedentes que tais decisões podem abrir. "Não sou contra faltar no culto. Isso pode acontecer por inúmeros motivos", pondera.
No entanto, ele questiona a situação de fiéis que não apreciam o futebol e desejam cultuar, mas se veem sem essa opção em suas igrejas. Para o pastor, trata-se de uma "decisão arbitrária da igreja" que reflete valores questionáveis. Seu vídeo sobre o tema no Instagram alcançou 432 mil visualizações.
Justificativas apresentadas pelas igrejas
O pastor Silas Malafaia, da Associação Vitória em Cristo, defendeu o cancelamento da celebração noturna, explicando à Folha que a medida visava facilitar o acesso dos fiéis à sua igreja, localizada no bairro da Penha, no Rio de Janeiro.
Malafaia detalhou a logística: "Na minha igreja, é um monte de gente que chega de Uber, de táxi, mototáxi, de ônibus... Se na igreja deles, o pessoal chega só de carro, top, não tenho nada contra realizar o culto no horário do jogo".
Uma abordagem diferente foi adotada pela 1ª Igreja Batista em Guarulhos, na Grande São Paulo. A congregação decidiu transmitir a partida no próprio templo, planejando retomar a celebração religiosa logo após o apito final.
O pastor Bruno Ramos, vestindo a camisa da seleção, detalhou a programação: "Vai ter pipoca, vai ter lanche. E a gente vai ter um tempo de comunhão comemorando o jogo do Brasilzão. A gente vai assistir ao jogo até o fim. Depois, 15 minutinhos, banheiro, vai ter pregação com tudo certinho".
Ramos enfatizou que os membros estavam livres para acompanhar o confronto de suas casas, caso preferissem.
Ele concluiu com uma reflexão: "O grande detalhe é perceber que tudo o que fazemos é para honra e glória de Jesus, inclusive assistir ao jogo do Brasil."
A intersecção entre futebol e religião
A escritora evangélica Heloisa Karin também contribuiu para a discussão, publicando um vídeo no Instagram onde aborda o entusiasmo de religiosos pela Copa do Mundo.
"Futebol não é pecado. Pecado é o que a Bíblia diz que é pecado. Em momento algum os esportes são tratados como tal nas escrituras. E a Copa só é do mundo porque é mundial, e não do Diabo", afirmou Karin, desmistificando a ideia de que o esporte seria incompatível com a fé.
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