O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), agendou para 14 de abril a audiência de interrogatório do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O procedimento será conduzido por videoconferência, uma vez que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se encontra fora do território nacional.

Eduardo Bolsonaro reside nos Estados Unidos há aproximadamente um ano. Ele enfrenta acusações de ter exercido pressão sobre o Poder Judiciário brasileiro a partir dos EUA, em um período próximo ao julgamento da suposta articulação golpista que resultou na condenação de seu pai, Jair Bolsonaro. A defesa, por sua vez, argumenta que a conduta de Eduardo se enquadra no direito à liberdade de expressão.

O ex-parlamentar figura como réu perante o STF, respondendo por crimes como "coação no curso do processo de Justiça", "obstrução de investigação de infração penal que envolva organização criminosa" e "abolição violenta do Estado Democrático de Direito".

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De acordo com a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), Eduardo Bolsonaro teria agido em conjunto com o blogueiro Paulo Figueiredo Filho. O objetivo seria buscar a imposição de sanções dos Estados Unidos contra o Brasil durante o processo de julgamento de seu pai no STF. O procurador-geral apontou que ambos teriam utilizado contatos no governo de Donald Trump para "constranger a atuação jurisdicional" da Suprema Corte.

A peça acusatória da PGR qualificou a iniciativa de Eduardo nos Estados Unidos como uma "estratégia do sacrifício dos interesses nacionais", com "repercussão altamente deletéria sobre a economia" brasileira, citando o aumento de tarifas sobre produtos do Brasil em julho do ano anterior. A PGR ainda argumenta que o ex-deputado buscou "manipular a opinião pública" e incitar setores bancários e produtivos do país contra o STF.

Mesmo diante das supostas pressões, o ex-presidente Jair Bolsonaro foi sentenciado pela Primeira Turma do STF a 27 anos e 3 meses de reclusão. A condenação se deu por sua liderança em um plano de golpe de Estado, visando à manutenção no poder após as Eleições de 2022.

Eduardo, que não retornou ao Brasil desde sua mudança para os Estados Unidos, teve seu mandato de deputado federal cassado em dezembro de 2025 pela Mesa Diretora da Câmara, por acúmulo de faltas, conforme divulgado pelo Estadão.

Adicionalmente, ele é mencionado pela Polícia Federal (PF) em um processo administrativo que apura o abandono de sua função como escrivão na delegacia da corporação em Angra dos Reis (RJ), motivado por ausência no serviço e faltas sem justificativa.

FONTE/CRÉDITOS: Diário Goianiense