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O **preço** do **café** arábica registrou uma forte alta no início de julho, alcançando R$ 1.787,48 por saca nesta segunda-feira (6), conforme dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da USP. Este aumento, que representa uma valorização de 13,2% em apenas um mês e o patamar mais elevado dos últimos 30 dias, é impulsionado por fatores como chuvas intensas, baixos estoques e a influência do **El Niño**, sinalizando um possível reajuste nos custos para os consumidores brasileiros a partir de agosto.
Essa escalada de preços reverte a trajetória de baixa observada no primeiro semestre do ano. Entre março e junho, o valor médio da saca de café arábica havia diminuído de R$ 1.913,89 para R$ 1.476,77. Contudo, após tocar o ponto mais baixo do ano em 9 de junho, com R$ 1.383,57, as cotações iniciaram uma recuperação firme e contínua.
O **café** robusta, igualmente de grande consumo no mercado nacional, acompanha essa tendência de valorização. Em um período de três meses, desde abril, o **preço** médio da saca desse tipo de grão subiu de R$ 917,05 para R$ 1.087,05, registrando uma alta de cerca de 18%.
Pavel Cardoso, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), alerta que se a atual valorização se mantiver, os consumidores poderão perceber o impacto no varejo já a partir de agosto.
"Movimentações tão abruptas geram grande apreensão para o setor industrial", declarou Cardoso. "Estaremos monitorando a volatilidade do mercado para verificar se haverá uma correção de parte dessa alta nos próximos dias. Caso os aumentos persistam, a indústria provavelmente efetuará reajustes para o varejo brasileiro a partir do início de agosto."
O impacto do El Niño no café
A recente escalada do **preço** do **café** é atribuída a uma combinação de fatores, incluindo o incremento das chuvas nas áreas de cultivo, a redução dos estoques globais e a influência do fenômeno climático **El Niño**.
Embora a elevação das precipitações seja sazonal, Pavel Cardoso destaca que relatos de produtores indicam volumes de chuva superiores ao esperado. Esse excesso tem causado a queda prematura de uma parcela significativa dos frutos, impactando a colheita.
Conforme um relatório do Itaú BBA, as fortes chuvas registradas entre maio e junho criaram obstáculos para a colheita e a secagem dos grãos, levantando preocupações quanto à qualidade do **café**. Adicionalmente, o excesso de umidade pode acelerar a florada das lavouras, afetando o desenvolvimento da próxima safra.
A escassez nos estoques mundiais é outro elemento que impulsiona a valorização do **preço** do **café**. O setor projeta uma recuperação parcial da oferta com a safra atual. O Itaú BBA estima que o saldo global, que representa a diferença entre produção e consumo, deve expandir de 3,6 milhões de sacas na safra 2025/26 para 13 milhões de sacas na temporada 2026/27.
Os produtores, por sua vez, manifestam preocupação com os efeitos do **El Niño** no próximo ciclo produtivo. Pavel Cardoso explica que este fenômeno climático tipicamente causa altas temperaturas e diminuição das chuvas em regiões cafeeiras cruciais, um cenário que impede o desenvolvimento adequado das plantas e pode comprometer seriamente a produção futura.
No contexto brasileiro, o **El Niño** é esperado para gerar períodos de seca, especialmente na região Nordeste. Essa condição climática adversa impactará não só a produção de **café**, mas também outras culturas agrícolas importantes, como a cana-de-açúcar e as frutas cítricas.
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