O Ministério da Saúde, por meio do ministro Alexandre Padilha, anunciou que a vacinação com a Pneumo 20 terá início na segunda quinzena de junho, nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) de todo o país. Este novo imunizante, incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS), visa proteger crianças de até 5 anos contra 20 sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, responsável por casos graves de pneumonia e meningite.

Esta inovação no SUS oferece cobertura ampliada contra 20 sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, que é a principal agente etiológica de enfermidades sérias como pneumonia e meningite, frequentemente resultando em hospitalizações, sequelas permanentes e óbitos.

Representa o quarto imunobiológico introduzido para o público infantil sob a gestão atual da pasta. Vale ressaltar que, na rede privada, onde a vacina já estava disponível desde o ano anterior, o custo por dose pode ultrapassar os R$ 500.

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O ministro Padilha assegurou que "todos os passos necessários foram cumpridos, incluindo a emissão de nota técnica e o início da distribuição para estados e municípios". Ele reforçou a expectativa de que a Pneumo 20 esteja acessível para as crianças a partir da segunda quinzena de junho, possivelmente em torno do dia 15.

A vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20), conhecida como Pneumo 20, substituirá a versão 10-valente, ampliando significativamente a proteção ao dobrar o número de sorotipos prevenidos.

A doença pneumocócica

A doença pneumocócica é uma infecção provocada pela bactéria Streptococcus pneumoniae, também conhecida como pneumococo. Ela pode manifestar-se em quadros clínicos variados, desde condições mais brandas, como otite e sinusite, até infecções severas como pneumonia bacteriana, meningite e sepse.

O pneumococo é estimado como o agente etiológico de até 50% dos casos de meningite bacteriana em crianças, com uma taxa de mortalidade que pode atingir 30%. Além do público infantil, idosos e pessoas com comorbidades ou imunossupressão representam grupos de maior vulnerabilidade.

Conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença pneumocócica figura como a principal causa de mortalidade infantil por enfermidade prevenível. No contexto brasileiro, o período entre 2023 e 2025 registrou 4,6 mil casos de meningite pneumocócica e 1,4 mil óbitos. Especificamente entre crianças com menos de 5 anos, foram contabilizados 616 casos e 188 mortes nesse mesmo intervalo.

O Ministério da Saúde destaca que o grande diferencial da nova vacina reside na ampliação da proteção imunológica. Ela abrange sorotipos que frequentemente causam pneumonia invasiva, como os tipos 3, 6A e 19A, tornando-a mais abrangente em comparação com as formulações precedentes.

Adicionalmente, a vacina oferece proteção contra a otite média, uma condição que, se não tratada, pode resultar em perda auditiva e, em casos mais graves, em infecções generalizadas com risco de óbito.

A pasta informou que a distribuição das 514 mil doses iniciais já foi iniciada. A vacinação terá seu começo efetivo à medida que os estados receberem os imunizantes e finalizarem o encaminhamento para os respectivos municípios. A projeção do governo federal é disponibilizar mais de 6,1 milhões de doses ao longo deste ano.

Histórico da vacinação

A vacinação contra a doença pneumocócica, utilizando a VPC10, foi integrada ao calendário básico infantil em 2010. Desde então, registrou-se uma redução de 60% nos casos de doença pneumocócica invasiva em crianças de até dois anos, causada pelos 10 sorotipos que a vacina combatia. Os casos de meningite pneumocócica na mesma faixa etária também apresentaram uma diminuição de 65%.

Contudo, observou-se um aumento nos casos em anos mais recentes. Entre 2013 e 2019, o Brasil contabilizou uma média de 164 casos anuais de meningite pneumocócica em crianças de até 5 anos. Já no período de 2022 a 2024, essa média anual ascendeu para 211,3 casos.

A vigilância do Ministério da Saúde revela que quase 40% dos casos graves, com amostras coletadas entre 2018 e 2023, foram atribuídos a apenas dois sorotipos bacterianos que não eram cobertos pela VPC10, mas que agora estão contemplados na formulação da VPC20 (Pneumo 20).

Grupos prioritários

O Ministério da Saúde detalhou que a Pneumo 20 será disponibilizada para os seguintes grupos considerados prioritários:

  • Crianças com idade inferior a 5 anos;
  • Indivíduos de povos indígenas com mais de 5 anos, que não possuam histórico de vacinação com pneumocócica conjugada;
  • Idosos a partir de 60 anos que estejam acamados ou institucionalizados;
  • Pessoas com condições clínicas específicas, que são acompanhadas nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE).

No período de transição para o novo imunizante, o esquema básico de vacinação para crianças seguirá um modelo específico: uma dose da Pneumo 20 aos 2 meses de vida; uma dose da Pneumo 10 aos 4 meses; e uma dose de reforço da Pneumo 20 aos 12 meses, observando um intervalo mínimo de 60 dias entre a segunda dose e o reforço.

As vacinas VPC13 e VPP23 serão empregadas em estratégias específicas até que seus estoques sejam completamente finalizados.

Esta abordagem será mantida até o esgotamento dos estoques da Pneumo 10. Concluída essa fase, o esquema vacinal adotará exclusivamente a Pneumo 20. Para facilitar o acompanhamento, pais e responsáveis podem verificar o histórico de vacinação em tempo real pela Caderneta Digital de Saúde da Criança, acessível no aplicativo Meu SUS Digital.

Resultados da cobertura vacinal

O Ministério da Saúde reportou que, nos últimos três anos, houve uma recuperação das coberturas vacinais infantis, revertendo a trajetória de queda que se estendia até 2022. A vacinação contra doenças pneumocócicas refletiu esse progresso, com a cobertura do esquema básico evoluindo de 90,01% em 2023 para 93,22% em 2024 e 93,45% em 2025. Para 2026, a cobertura parcial acumulada até o momento atinge 86,33%, conforme a pasta.

Em entrevista para detalhar o esquema de vacinação com a Pneumo 20, Padilha afirmou: "Estamos em uma grande batalha, superando o negacionismo e o movimento antivacina, e restabelecendo a credibilidade do nosso Programa Nacional de Imunização."

FONTE/CRÉDITOS: Pedro Rafael Vilela - Repórter da Agência Brasil