A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) defende a inclusão obrigatória da mamografia digital em todos os planos de saúde, desde que haja indicação médica, eliminando restrições de idade.

A proposta visa garantir o acesso ao exame para todas as pessoas, independentemente de gênero ou faixa etária, conforme a necessidade clínica. O debate sobre a ampliação da cobertura está aberto à sociedade civil através da Consulta Pública 173, com prazo para contribuições até 11 de julho.

Atualmente, a cobertura para mamografia digital é restrita a mulheres entre 40 e 69 anos, sujeita à avaliação do médico assistente. A mamografia digital é uma versão aprimorada do exame tradicional, crucial para a detecção precoce do câncer de mama, identificando anomalias antes mesmo de serem palpáveis.

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O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que o Brasil registre aproximadamente 73.610 novos casos de câncer de mama anualmente.

Menos exposição e mais precisão

Segundo a ANS, o diagnóstico precoce eleva as chances de sucesso no tratamento e pode mitigar a necessidade de intervenções cirúrgicas mais complexas.

A mamografia digital apresenta vantagens significativas, como a redução da exposição à radiação, menor tempo de compressão da mama durante o procedimento e a capacidade de armazenar imagens digitalmente. Isso facilita o acompanhamento evolutivo e a análise por múltiplos especialistas.

Com a proposta de revisão, a cobertura do exame digital se estenderia a qualquer pessoa, incluindo indivíduos não binários, mediante prescrição médica, alinhando-se à cobertura já existente para a mamografia convencional.

Tecnologia e avanço no cuidado

A iniciativa da ANS foi aprovada pela diretoria colegiada da agência em 8 de junho e passará por uma fase de participação social antes de qualquer decisão definitiva.

A sugestão de ampliar a cobertura surgiu de discussões internas na Comissão de Atualização do Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde Suplementar (Cosaúde).

A maioria dos membros da Cosaúde reconheceu que a mamografia digital é um padrão de cuidado oncológico consolidado e que a restrição etária atual poderia comprometer ou atrasar o acesso ao diagnóstico do câncer de mama.

Lenise Secchin, diretora de Normas e Habilitação dos Produtos da ANS, destacou o compromisso contínuo da agência em aprimorar as coberturas oferecidas aos beneficiários de planos de saúde.

“Diante da evolução tecnológica e da ampla adoção da mamografia digital na prática médica, consideramos que não há mais justificativa para manter restrições de idade ou gênero para um exame de tamanha importância”, afirmou Secchin.

Consulta pública aberta

A Consulta Pública 173, que visa coletar contribuições da sociedade sobre a proposta, está disponível no site da ANS. Os interessados podem enviar seus comentários e sugestões até o dia 11 de julho.

FONTE/CRÉDITOS: Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil