Uma complexa rede de coiotes, envolvendo brasileiros, guianenses e cubanos, está sendo investigada por facilitar a migração irregular de cidadãos de Cuba para o Brasil, utilizando a Amazônia como rota. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) já resgatou 225 cubanos em situação irregular na BR-401, que liga Roraima à Guiana, apenas nos primeiros meses de 2024, um número significativamente maior do que o registrado nos dois anos anteriores combinados. A crise humanitária gerada por essa exploração tem sido o foco das autoridades.

A travessia para o Brasil ocorre por diversas vias, muitas delas perigosas. Alguns migrantes cruzam a pé a ponte que liga Lethem, na Guiana, a Bonfim, em Roraima, enquanto outros utilizam embarcações clandestinas para atravessar o rio que delimita as fronteiras. A PRF tem intensificado as abordagens na BR-401, uma rodovia que, apesar de asfaltada, apresenta trechos vulneráveis explorados pelas organizações criminosas.

A situação em Cuba, marcada por escassez de recursos básicos como energia, água, gás e alimentos, além de altos custos de vida e salários insuficientes, tem impulsionado essa onda migratória. Muitos cubanos buscam no Brasil uma oportunidade de trabalho e regularização, com o objetivo de reunir suas famílias.

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As investigações apontam que a rede de coiotes cobra valores exorbitantes, estimados em cerca de US$ 10 mil por pessoa, para cobrir todo o percurso. Este montante inclui transporte terrestre, travessias de fronteira, hospedagens temporárias e passagens aéreas dentro do território brasileiro. Desde o início do ano, a PRF efetuou a prisão de 16 coiotes envolvidos nessa operação.

Para combater essa atividade ilegal, a Polícia Federal deflagrou a Operação Conexão Norte, com o intuito de desarticular o grupo criminoso responsável pela promoção da migração ilegal. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Boa Vista e Bonfim, na tentativa de desmantelar a estrutura que se beneficia da vulnerabilidade dos migrantes.

A geografia da região amazônica, com a proximidade entre Cuba e a Guiana, facilita o acesso a voos comerciais para a área. A fronteira entre Brasil e Guiana, com seus trechos de fácil acesso e a conexão com a BR-401, torna-se um corredor estratégico para os coiotes, que utilizam veículos alugados para transportar grupos de até 12 pessoas, muitas vezes em condições precárias e superlotadas.

O transporte irregular é altamente lucrativo, com estimativas de ganhos que podem chegar a R$ 10 mil ou R$ 15 mil por viagem, dependendo do número de passageiros. Muitos motoristas envolvidos são brasileiros, alguns com histórico em crimes como contrabando e tráfico de drogas, atraídos pela vantagem financeira da atividade.

A tentativa de fugir da fiscalização policial tem elevado os riscos da rota. Motoristas frequentemente abandonam a rodovia principal e adentram estradas de terra em alta velocidade, o que tem resultado em acidentes graves e, tragicamente, mortes de migrantes. Em uma operação recente, 61 cubanos foram encontrados em uma casa em Cantá (RR), utilizada como ponto de apoio, muitos deles relatando dias sem alimentação adequada.

A Operação Rota Segura resultou no maior resgate humanitário da corporação em Roraima, com 108 cidadãos cubanos encontrados em condições degradantes, e a prisão de cinco brasileiros suspeitos de atuar como coiotes. As vítimas são encaminhadas para abrigos da Operação Acolhida, onde recebem o suporte necessário.

O fluxo migratório cubano para o Brasil tem crescido significativamente, com um aumento expressivo nas solicitações de refúgio nos últimos anos. O Ministério da Justiça e Segurança Pública afirma monitorar esses fluxos e atuar, em cooperação com outros órgãos, no combate ao contrabando de migrantes e à atuação de grupos criminosos.

FONTE/CRÉDITOS: Radar Valparaíso