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A **Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)** lançou oficialmente, nesta sexta-feira (3), a **Rádio UFRJ FM** na frequência 88,9 FM, fruto de uma cooperação técnica com a **Empresa Brasil de Comunicação (EBC)** para fortalecer a radiodifusão pública no Grande Rio.
A grade de programação é diversificada, abrangendo desde a música independente e produções infantojuvenis até a divulgação científica, notícias e esportes, incorporando também conteúdos da Rádio MEC AM, gerida pela EBC.
Trajetória de resistência e conquista
O comando da emissora está nas mãos do professor Marcelo Kischinhevsky, da Escola de Comunicação. Ele integrou o grupo de estudantes que, em 1989, fundou a Rádio Livre, precursora da atual estrutura.
Durante duas décadas, a estação operou de forma alternativa até ser interrompida por ações policiais sob a pecha de "pirataria". A regularização veio apenas em 2014, após mediação do Ministério Público Federal.
“Tínhamos apenas 20 anos quando montamos o primeiro transmissor no centro acadêmico, rodando fitas cassete”, relembrou Kischinhevsky, destacando o papel do ativismo estudantil na conquista do canal atual.
Para viabilizar a infraestrutura técnica, a universidade utilizou emendas parlamentares, garantindo a compra de equipamentos modernos e superando as restrições orçamentárias institucionais.
Alcance e impacto social
Instalados no Morro do Sumaré, os transmissores iniciaram a fase experimental com potencial para atingir 10 milhões de ouvintes. Desde 2019, o projeto funcionava apenas via internet como laboratório acadêmico.
A inauguração trouxe forte carga emocional. O diretor relatou ter ouvido o sinal em um rádio de pilha no campus, celebrando o que chamou de "vitória da radiodifusão educativa e universitária".
A especialista Suzy dos Santos reforça que a nova rádio amplia a pluralidade no Rio, contrapondo-se à concentração do mercado comercial, muitas vezes pautado exclusivamente pelo lucro.
Segundo a docente, a **Rádio UFRJ FM** cumpre um papel imensurável ao promover uma sociedade democrática, evitando o uso de concessões públicas para fins meramente religiosos ou eleitoreiros.
Curadoria e engajamento jovem
A curadoria musical foca na cena independente, algo raro em emissoras comerciais. O estudante Davi Maia destaca que a rádio pública permite uma seleção artística sem as pressões das grandes gravadoras.
O reitor Roberto Medronho enfatiza que o público-alvo principal são os jovens e adultos, visando combater a desinformação por meio de um veículo ágil e conectado com as demandas contemporâneas.
“A democracia exige vigilância constante, e a juventude precisa de canais confiáveis”, afirmou o reitor, salientando a importância da rádio na defesa do regime democrático.
Para o futuro, a emissora já prepara a grade de 2027 através de editais públicos, permitindo que tanto a comunidade acadêmica quanto a sociedade civil submetam propostas de programas.
A **Rádio UFRJ FM** integra a Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP), coordenada pela EBC, que conecta centenas de emissoras de rádio e televisão em todo o território nacional.
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