Os Estados Unidos (EUA) realizaram um novo ataque contra o Irã nesta sexta-feira (26/6), apenas dez dias após o anúncio de uma trégua e em meio a negociações de paz. A ação ocorreu em resposta à acusação de que Teerã violou o cessar-fogo ao atingir um navio comercial com um drone no estratégico Estreito de Ormuz na véspera.

O exército norte-americano classificou a intervenção como uma "resposta contundente" ao incidente de quinta-feira (25/6), quando um navio comercial foi supostamente atacado por um drone atribuído a forças iranianas no Estreito de Ormuz.

O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) confirmou ter alvejado instalações iranianas utilizadas para armazenamento de mísseis e drones.

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O Centcom justificou a retaliação, afirmando que a "agressão injustificada" do Irã contra a navegação comercial constituiu uma clara violação do cessar-fogo. A entidade militar acrescentou que o "comportamento perigoso" de Teerã comprometeu a liberdade de navegação em um "corredor vital para o comércio internacional", divulgando um vídeo de um dos ataques.

Na sexta-feira, o presidente Donald Trump reiterou as acusações, afirmando que o Irã disparou ao menos quatro drones contra embarcações em trânsito, e que um deles atingiu um navio. Ele classificou o incidente como uma "violação insensata" do acordo de cessar-fogo.

Em contrapartida, Ebrahim Azizi, chefe da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, negou que o ataque representasse uma violação do cessar-fogo. Ele acusou os Estados Unidos de desrespeitar as regras de navegação, declarando que o "Estreito de Ormuz é controlado pelo Irã" e exigindo "respeito às regras" e o uso de "rotas seguras", alertando para não confundir "controle com escalada".

Anteriormente, na quinta-feira, a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA) do Irã havia emitido um comunicado. A entidade advertiu que "qualquer passagem por rotas fora da estrutura designada pela PGSA não será coberta pelas garantias de passagem segura e não terá direito a cobertura de seguro ou responsabilidades relacionadas".

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, por sua vez, declarou que, caso o Irã tenha "desacordos sobre como o MOU [Memorando de Entendimento] está sendo aplicado, eles podem pegar o telefone". No entanto, ele enfatizou que "a violência será respondida com violência".

A Guarda Revolucionária do Irã informou ter revidado o mais recente ataque norte-americano, embora sem fornecer detalhes específicos. Azizi, novamente, criticou o presidente dos Estados Unidos, afirmando que ele "provou novamente que não tem nenhum compromisso com os princípios de negociação e cessar-fogo".

Ataque no Estreito de Ormuz

A agência britânica de segurança marítima Ukmto reportou que um navio com bandeira de Singapura foi atingido por um "projétil desconhecido" na quinta-feira (25/6). O incidente ocorreu a aproximadamente 14 quilômetros a sudeste do porto de Duqm, em Omã, e, felizmente, não resultou em vítimas.

Consequentemente, a Organização Marítima Internacional (OMI) decidiu suspender temporariamente a operação de evacuação de 11 mil marinheiros. Esses profissionais estavam retidos no Estreito de Ormuz desde o final de fevereiro, quando o conflito entre os Estados Unidos e o Irã se intensificou.

Frágil acordo entre EUA e Irã

A trégua entre os dois países havia sido estabelecida em 17 de junho, por meio de um Memorando de Entendimento (MOU) que continha 14 pontos. Um dos termos cruciais era a liberação da navegação no Estreito de Ormuz, rota marítima que estava bloqueada desde o início do conflito.

Contudo, o acordo apresentava ambiguidades quanto à permissão de Teerã para cobrar taxas de travessia para navios na rota. Enquanto o presidente Trump insistia que a passagem seria gratuita, o Irã reivindicava o direito de tarifar as embarcações.

Os 14 pontos do acordo firmado entre os Estados Unidos e o Irã abrangiam:
1. Fim das operações militares
2. Respeito à soberania
3. Prazo para acordo definitivo
4. Retirada do bloqueio naval
5. Reabertura do Estreito de Ormuz
6. Plano de reconstrução econômica
7. Fim gradual das sanções
8. Compromissos nucleares
9. Manutenção do status quo
10. Exportação de petróleo
11. Liberação de ativos congelados
12. Mecanismo de monitoramento
13. Início das negociações finais
14. Aval da ONU

FONTE/CRÉDITOS: Thays Martins