A ONG Anistia Internacional Brasil revelou nesta terça-feira (25) que a plataforma Facebook falhou em conter a desinformação eleitoral em um experimento recente. A avaliação mostrou que a rede social aprovou mais da metade de um lote de anúncios com teor antidemocrático a exatamente 40 dias do primeiro turno das eleições.

Para realizar o levantamento, os ativistas submeteram 15 publicações pagas em português, voltadas ao público brasileiro acima de 16 anos. Do total enviado, 14 peças continham conteúdos deliberadamente falsos e apenas uma era neutra.

As mensagens com informações enganosas foram divididas em três eixos estratégicos:

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  • Deslegitimação eleitoral: ataques à credibilidade do sistema de votação e aos resultados das urnas;
  • Construção do inimigo: retratamento de tribunais e opositores como ameaças ilegítimas;
  • Autoritarismo e segurança: defesa de intervenção militar ou regimes autoritários para combater o crime.

Uma das peças aprovadas defendia abertamente uma revolução militar e alegava falsamente que o exército tomaria o poder caso a participação do eleitorado ficasse abaixo de 50%. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já desmentiu esse boato em diversas ocasiões.

Aprovação das campanhas

Ao todo, oito das 14 publicações com conteúdos inverídicos receberam aprovação para veiculação. A entidade esclarece que os anúncios foram agendados para datas futuras e cancelados antes de irem ao ar, evitando danos reais.

As sete rejeições ocorridas não foram motivadas pela presença de dados falsos, mas sim por exigências formais de verificação de identidade em contas voltadas à política e questões sociais.

Críticas à moderação da Meta

A diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil, Jurema Werneck, classificou como alarmante a falha na detecção dos anúncios. Segundo a executiva, a Meta continua lucrando com sistemas de publicidade que viabilizam a disseminação de contestações antidemocráticas.

No segundo trimestre de 2026, mais de 97% do faturamento de US$ 60 bilhões da Meta teve origem na veiculação de anúncios em suas plataformas.

Envios a partir do exterior

O teste também revelou vulnerabilidades na segurança geográfica: as peças foram submetidas diretamente de Londres sem o uso de VPN. Para o pesquisador Ummar Bashir, o aceite de campanhas originadas fora do país expõe graves lacunas nas salvaguardas da rede social contra interferências externas.

Posicionamento da Meta

Em nota enviada à Agência Brasil, a Meta declarou que o relatório se baseia em uma amostra reduzida e que os materiais jamais foram vistos pelos usuários. A big tech afirmou manter sistemas de análise em múltiplas camadas e destacar recursos significativos para proteger o pleito de 2026 no Brasil.

Normas do TSE

A legislação brasileira, ancorada na Resolução 23.610/2019 e atualizada pelas normas 23.732/2024 e 23.755/2026 do TSE, obriga as redes sociais a adotarem medidas ativas para mitigar a circulação de notícias falsas. As plataformas devem remover preventivamente alegações sem comprovação técnica que tentem descredibilizar a votação eletrônica, sem depender de provocação judicial.

FONTE/CRÉDITOS: Bruno de Freitas Moura ─ Repórter da Agência Brasil