O Rioprevidência oficializou, nesta terça-feira (9), uma estratégia para transferir o superávit de seu fundo de custeio administrativo para o pagamento de benefícios previdenciários no Rio de Janeiro. A decisão busca otimizar a gestão de recursos e ocorre em um momento em que a autarquia revisa seus investimentos para perfis mais seguros.

Responsável pela previdência dos servidores estaduais fluminenses, o órgão tenta mitigar desgastes após ser citado no Caso Master. A investigação apura supostas irregularidades em aplicações bilionárias de crédito realizadas pela instituição.

Conforme a nova diretriz, valores que excederem 150% das despesas administrativas médias do último ano serão automaticamente revertidos. O cálculo considera o histórico de gastos operacionais da autarquia nos 12 meses anteriores.

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A diretoria executiva aprovou a norma no dia 2 de junho, estimando que R$ 100 milhões sejam realocados até o encerramento de 2024. O texto ainda será submetido ao Conselho de Administração em sessão agendada para o fim de junho.

Felipe Derbli, diretor-presidente da instituição, destacou que a medida serve como um mecanismo de controle para despesas futuras. Além disso, garante um aporte extra fundamental para honrar os compromissos com aposentados e pensionistas.

Paralelamente, o fundo administrativo passará a priorizar ativos de curto prazo e alta liquidez. Essa mudança de perfil visa blindar o patrimônio contra riscos excessivos e garantir maior previsibilidade financeira ao instituto.

"Não faz sentido expor os recursos de manutenção do Rioprevidência a riscos de longo prazo, que são naturalmente mais voláteis", afirmou Derbli. O foco agora reside na segurança institucional das aplicações financeiras.

Investigação sobre aplicações no Banco Master

A mudança de postura ocorre após a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, investigar repasses ao Banco Master. O inquérito analisa a conduta na aplicação de aproximadamente R$ 3 bilhões do fundo de previdência.

Relatórios parciais da PF indicam que, entre o fim de 2023 e meados de 2024, o Rioprevidência destinou R$ 970 milhões a Letras Financeiras. O caso está sob relatoria do ministro André Mendonça, no STF.

Posteriormente, entre dezembro de 2024 e outubro de 2025, novos aportes que somam R$ 2,01 bilhões foram identificados em fundos estruturados. As transações ocorreram mesmo diante de alertas sobre entraves regulatórios do setor.

FONTE/CRÉDITOS: Douglas Corrêa - Repórter da Agência Brasil