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Na última terça-feira (9), especialistas reunidos em seminário na Câmara dos Deputados debateram estratégias para a transição energética no Brasil, visando a substituição gradual de combustíveis fósseis por fontes limpas. O encontro, promovido por três comissões técnicas, destacou a urgência de metas vinculantes e a criação de mecanismos para promover a justiça climática diante do aquecimento global.
Durante as discussões, Carolina Marçal, coordenadora de projetos do Instituto ClimaInfo, apontou contradições na política brasileira. Segundo ela, embora o país busque liderança global no clima, a expansão da indústria petrolífera em áreas sensíveis, como a Margem Equatorial, gera sinais divergentes sobre o compromisso ambiental nacional.
O analista Ricardo Fuji, do WWF Brasil, apresentou dados sobre os riscos ambientais na foz do rio Amazonas. Ele estimou que a exploração na região poderia liberar 446 milhões de toneladas de CO2, sugerindo que o aporte de R$ 32 milhões seria melhor aproveitado em infraestrutura de eletricidade renovável e biocombustíveis.
Impactos geopolíticos e subsídios ao setor
O cenário internacional também foi pauta, com foco na volatilidade dos preços causada por conflitos envolvendo grandes potências. João Cerqueira, da 350.org Brasil, ressaltou que a dependência do petróleo encarece o custo de vida global e criticou os altos subsídios governamentais destinados ao setor fóssil.
Cerqueira defendeu a aprovação do Projeto de Lei 219/25, que visa extinguir incentivos ao carvão mineral. Em contrapartida, o deputado Fernando Mineiro (PT-RN) reforçou a importância da intervenção estatal para garantir que a mudança na matriz energética seja socialmente justa e não ditada apenas pelo mercado.
Tarifas de energia e soberania industrial
O impacto direto no consumidor foi abordado por Leandro Moreira, representante da Aneel, que citou o projeto da Lei de Responsabilidade Tarifária (PLP 100/26) como ferramenta para reduzir encargos na conta de luz. A medida busca aliviar o peso dos subsídios que atualmente oneram a tarifa paga pela população.
Complementando a visão técnica, Bruna Targino, do Instituto E+ Transição Energética, alertou para a necessidade de uma estratégia industrial de longo prazo. Ela destacou que o Brasil deve evitar trocar a dependência de fósseis por uma dependência tecnológica externa, focando na agregação de valor aos minerais estratégicos.
O debate foi uma iniciativa conjunta das Comissões de Meio Ambiente, da Amazônia e de Defesa do Consumidor, consolidando um espaço de diálogo essencial entre a sociedade civil organizada e o Poder Legislativo brasileiro.
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