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Na sexta-feira (10), a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, comunicou que um fundo de investimentos manifestou interesse em adquirir, por R$ 15 bilhões, parte dos ativos do Banco Master integrados ao Banco de Brasília (BRB) durante o período de crise da estatal.
De acordo com a gestão distrital, a concretização do negócio está condicionada ao aval técnico do Banco Central (BC). O Governo do Distrito Federal (GDF) ressaltou, em comunicado oficial, que a transação não utiliza verbas públicas nem afeta as reservas do banco, visando unicamente resguardar o patrimônio do DF.
"A governadora Celina Leão reafirma que o aporte de investidores de alto nível comprova a solidez e a confiança no Banco de Brasília", declarou a nota governamental.
A movimentação ocorre enquanto o banco público lida com uma crise de imagem e financeira, provocada por prejuízos em operações bilionárias envolvendo carteiras de crédito de difícil recuperação negociadas com o Banco Master.
Paralelamente, a Polícia Federal apura indícios de irregularidades na transação de R$ 12,2 bilhões em créditos. Celina, que ocupava a vice-governadoria durante as negociações, assumiu a chefia do Palácio do Buriti após o afastamento de Ibaneis Rocha, que deixou o cargo para disputar o Senado.
Anteriormente, o BRB tentou realizar a compra direta do Master, mas a operação foi vetada pela autoridade monetária. Posteriormente, o BC decretou a liquidação do Master e encaminhou as denúncias de fraudes financeiras para investigação policial.
Estrutura da proposta financeira
Segundo informações do GDF, o modelo de negócio sugerido inclui um aporte imediato de R$ 4 bilhões ao BRB, enquanto os R$ 11 bilhões restantes seriam quitados por meio de papéis financeiros vinculados aos ativos em negociação.
As especificidades técnicas desses títulos, contudo, ainda não foram detalhadas publicamente.
Mesmo com o anúncio oficial, diversas questões fundamentais continuam sem esclarecimento, tais como:
- a identidade dos investidores que integram o consórcio;
- quais bens e créditos estão de fato no pacote;
- a existência de eventuais abatimentos no valor nominal dos ativos;
- a metodologia de pagamento da parcela de R$ 11 bilhões;
- a necessidade de submeter o acordo à votação na Câmara Legislativa.
Cenário de crise no BRB
O processo de desinvestimento é uma resposta à forte queda patrimonial sofrida pelo BRB após incorporar ativos do Master. Enquanto a diretoria do banco estima a necessidade de provisionar R$ 8,8 bilhões para cobrir riscos, uma perícia independente sugere que o montante deveria chegar a R$ 13 bilhões.
A própria administração do BRB avalia que a parcela considerada de boa qualidade entre os ativos oriundos do Master soma R$ 21,9 bilhões.
Próximas etapas
A proposta será submetida ao crivo do Banco Central (BC) para análise de viabilidade. Recentemente, Celina Leão e o presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, cumpriram agenda em São Paulo com representantes do mercado e autoridades reguladoras.
Na manhã de quinta-feira (9), a governadora esteve com Gabriel Galípolo, presidente do BC, para tratar do plano de reestruturação da instituição. Celina limitou-se a descrever a audiência como uma agenda institucional de caráter estritamente técnico.
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