O procurador-geral da República, Paulo Gonet, encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (25) um parecer crucial sobre a **arma** apreendida com um dos seguranças do ex-presidente **Jair Bolsonaro**, indicando, por ora, que não identifica **falta grave** na conduta do político. A manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) foi solicitada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, em meio a preocupações sobre o cumprimento da prisão domiciliar de Bolsonaro.

Em sua análise preliminar, Gonet ressaltou que o processo investigativo se encontra em estágio inicial. Segundo ele, neste momento, os fatos noticiados não configuram, de forma concreta, uma situação que caracterize falta disciplinar ou descumprimento das condições de cautela às quais o ex-presidente está submetido.

O procurador-geral enfatizou que aguardará a completa apuração do caso, conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal, para então proferir um "juízo final e mais abrangente sobre os fatos". Essa posição sugere uma cautela na avaliação antes da conclusão das diligências.

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A solicitação de Alexandre de Moraes

O parecer da PGR foi requisitado na quarta-feira (24) pelo ministro Alexandre de Moraes. A solicitação veio após o próprio Bolsonaro prestar depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal na terça-feira (23), confirmando a posse do armamento.

Durante a oitiva, o ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar, justificou a necessidade da arma. Ele alegou morar com a esposa, Michelle Bolsonaro, a enteada e a filha, afirmando: "Tinha três mulheres em casa e eu não podia ficar desarmado".

Diante dessa declaração, Moraes expressou preocupação. O ministro considerou que a posse da arma poderia configurar uma **falta grave** no cumprimento da prisão domiciliar, citando a Lei de Execução Penal (LEP). A legislação define como falta grave "possuir, indevidamente, instrumento capaz de ofender a integridade física de outrem".

Para o relator do caso, era imperativo que a PGR avaliasse se a questão da arma poderia impactar a renovação da prisão domiciliar de Bolsonaro. O prazo de 90 dias dessa medida cautelar se encerra justamente nesta quinta-feira (25).

Origem do incidente com a arma

O incidente que deu origem à controvérsia ocorreu na semana passada, quando um segurança do ex-presidente foi abordado em uma blitz em Brasília. O militar estava com uma **arma** que pertencia a Bolsonaro, alegando que a levaria para conserto.

Ao tomar conhecimento dos fatos, o ministro Alexandre de Moraes solicitou explicações detalhadas sobre a razão da solicitação do reparo da arma "às vésperas do encerramento do período de 90 dias da domiciliar", levantando dúvidas sobre a conveniência do momento.

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FONTE/CRÉDITOS: André Richter - Repórter da Agência Brasil