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O valor do óleo diesel no Brasil apresentou sua quarta redução em um ciclo de cinco semanas. Durante este período, o combustível, essencial para caminhões e ônibus, acumulou uma diminuição de 4,5%.
Contudo, seu custo permanece 18,9% superior ao patamar observado antes do conflito no Irã, que teve início em 28 de fevereiro.
Essas informações provêm do acompanhamento de preços realizado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a entidade governamental responsável pela regulamentação do setor no território nacional.
Segundo o painel de preços de revenda da ANP, o litro do diesel S10 foi comercializado a um preço médio de R$ 7,24 na semana compreendida entre 3 e 9 de maio.
A cotação do diesel é monitorada de perto por órgãos governamentais e pela indústria, visto que, como principal insumo da frota de transporte rodoviário, influencia diretamente o custo do frete e, consequentemente, os valores dos produtos alimentícios.
Ao longo das últimas cinco semanas, a ANP registrou um período sem alterações e quatro com declínio no preço médio do combustível.
Apresentamos a seguir o preço médio do diesel S10 em cada fim de semana pesquisado:
- 28/03: R$ 7,57
- 04/04: R$ 7,58
- 11/04: R$ 7,58
- 18/04: R$ 7,51
- 25/04: R$ 7,38
- 02/05: R$ 7,28
- 09/05: R$ 7,24
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Pré-guerra
Embora o diesel tenha apresentado uma tendência de baixa recentemente, o valor por litro ainda demonstra o impacto da elevação de preços decorrente dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã. Antes do primeiro ataque, na semana encerrada em 28 de fevereiro, o combustível era comercializado por uma média de R$ 6,09.
Posteriormente, foram necessárias cinco semanas para que o preço atingisse seu valor máximo de R$ 7,58, na semana que terminou em 11 de abril.
Quanto ao diesel S500, seu comportamento espelha o do S10 nas últimas cinco semanas, com uma redução de 5,37%, passando de R$ 7,45 para R$ 7,05 o litro. Comparado ao período anterior ao conflito, o incremento ainda é de 17%.
A distinção entre o S10 e o S500 reside na quantidade de poluentes emitidos. O S500 libera 10 partes por milhão (ppm) de enxofre, um volume 50 vezes maior do que o S10.
Conforme dados da ANP, o S10 é o tipo de diesel predominante no país, correspondendo a aproximadamente 70% do consumo. Veículos leves e pesados fabricados a partir de 2012 são projetados para utilizar este combustível.
Guerra e preço
O conflito no Irã gerou consequências como investidas contra nações vizinhas produtoras de petróleo e o bloqueio do Estreito de Ormuz, localizado no sul do Irã, que conecta os golfos Pérsico e de Omã. Antes da guerra, cerca de 20% da produção global de petróleo e gás natural transitava por essa rota.
Com a instabilidade na cadeia logística, a disponibilidade de petróleo bruto e seus derivados no mercado global diminuiu, impulsionando a alta dos preços. O barril de Brent, parâmetro internacional, elevou-se de US$ 70 para além de US$ 100, alcançando picos próximos a US$ 120.
Sendo o petróleo uma commodity, ou seja, um produto com cotação internacional, o aumento de seu valor foi percebido no Brasil, apesar de o país ser um produtor.
No que se refere ao diesel, o Brasil não possui autossuficiência, necessitando importar aproximadamente 30% de seu consumo.
Subvenção
A recente trajetória de redução no valor do diesel nas últimas cinco semanas coincide com a implementação da subvenção governamental destinada a produtores e importadores do combustível. Essa iniciativa representa uma das estratégias para frear o aumento dos preços.
A partir de 1º de abril, o governo começou a conceder um tipo de compensação financeira a esses agentes do mercado.
Graças à subvenção, o diesel fabricado nacionalmente pode obter um subsídio de até R$ 1,12 por litro, enquanto o importado pode chegar a R$ 1,52 por litro. Contudo, o benefício só é concedido se os agentes econômicos transferirem o desconto para os consumidores finais.
Adicionalmente, para estabilizar o preço final, as alíquotas do PIS e da Cofins, impostos federais incidentes sobre o diesel, foram zeradas.
Motivos
Iago Montalvão, pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (Ineep), informou à Agência Brasil que a recente redução nos preços do diesel pode ser atribuída às ações governamentais e à performance da Petrobras.
Ele analisa que, inicialmente, diante do impacto nos preços causado pelo conflito, as companhias buscaram ajustar seus resultados financeiros, elevando os valores para preservar suas margens de lucro frente ao encarecimento dos custos, especialmente o do petróleo.
A Petrobras, por sua vez, aplicou um reajuste de R$ 0,38 no diesel duas semanas após o começo da guerra.
Contudo, Montalvão destaca que a significativa participação da Petrobras no segmento de derivados permitiu que a empresa evitasse um aumento de preços na mesma magnitude do impacto gerado pela cotação do petróleo.
“Essa atuação foi crucial para conter a transferência desse aumento para as bombas e para compelir outras refinarias a não elevarem seus preços de forma tão acentuada”, afirmou o pesquisador do Ineep, um centro de estudos vinculado à Federação Única dos Petroleiros (FUP).
Conforme dados da ANP, a Petrobras manteve uma participação como fornecedora de diesel combustível entre 75,74% e 78,23% no período de 2023 a 2025.
Montalvão complementa que as desonerações tributárias e as subvenções também contribuíram para a queda no preço do combustível.
“As intervenções fiscais [referentes aos gastos governamentais] foram importantes para controlar a escalada de preços nas fases finais de distribuição e revenda”, observa.
“Tais ações têm desempenhado um papel fundamental na contenção da inflação geral da economia”, adiciona.
Iago Montalvão ressalta que o preço do Brent permanece em um nível “consideravelmente alto” e que não há previsão para o término do conflito.
“No entanto, os participantes do mercado já conseguiram se adaptar a este novo cenário, o que resultou na desaceleração dos aumentos e, em algumas situações, na redução dos preços”, avalia Montalvão.
Na tarde da segunda-feira (11), o barril era negociado por volta de US$ 104.
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