O vereador Afonso Baiano utilizou a tribuna para criticar severamente o ex-gestor, acusando-o de condutas ilícitas e de comprometer a situação financeira da própria esposa ao envolver suas contas bancárias em movimentações suspeitas, questionando a legitimidade de qualquer apoio político ao ex-prefeito.

A atmosfera na Câmara Municipal tornou-se hostil após Fábio Corrêa, antigo prefeito e atual pré-candidato ao Legislativo estadual, sugerir publicamente a necessidade de união entre os poderes locais. Corrêa, que governou por oito anos e deixou o cargo sob o peso de investigações de desvios, enfrentou uma forte oposição dos parlamentares em resposta direta ao seu posicionamento.

“A realidade é objetiva: ou nos unimos em torno de um projeto viável, ou Cidade Ocidental permanecerá estagnada”, declarou o ex-prefeito em sua tentativa de conciliação.

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Ele argumentou que os moradores sofrem com problemas crônicos, como a precariedade das vias públicas, defasagem na saúde e um sistema de transporte ineficiente, tratando esses pontos como prioridades que deveriam ignorar disputas ideológicas.

Corrêa defendeu ainda que o momento exige maturidade e a renúncia às vaidades pessoais em prol do benefício coletivo, afirmando que o resultado das eleições deve priorizar o bem-estar da população em vez de interesses individuais.

Reação do Legislativo

Pedro Araújo, o parlamentar com maior votação na história do município, foi um dos principais críticos da proposta. Ele relembrou o histórico político da região para contestar a fala de Fábio Corrêa, afirmando que o discurso de unidade não condiz com as práticas passadas do ex-gestor.

Durante a sessão, Araújo destacou que, em pleitos anteriores, o ex-prefeito teria negado suporte a lideranças locais, mesmo quando estas se mostravam competitivas. “Ao observarmos o passado, vemos que nunca houve um apoio real dele aos candidatos da nossa cidade”, frisou.

O vereador também citou alianças que não teriam sido cumpridas, avaliando que a atual defesa de união surge apenas em um cenário onde o próprio Corrêa pretende disputar o pleito. Ele ressaltou que não há consenso político, nem na prefeitura nem no Legislativo, para tal movimento.

“Atualmente, a união é inexistente tanto no Executivo quanto nesta Casa de Leis, e isso é um fato público”, declarou o parlamentar.

Afonso Baiano também reforçou as críticas, mencionando episódios de perseguição política e os processos judiciais que envolvem valores depositados na conta de Marly, esposa de Corrêa. Para o vereador, a conduta do ex-prefeito compromete sua imagem como gestor público e gera desconfiança sobre sua capacidade administrativa.

Contexto das investigações

Relembre o caso: Fábio Corrêa é um dos focos de uma operação que apura um suposto esquema de corrupção milionário ocorrido entre 2017 e 2024. Ele chegou a ser afastado das funções no final do ano passado, após diligências da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU) encontrarem evidências de irregularidades em mais de cem contratos públicos, com valores que ultrapassam R$ 65 milhões.

FONTE/CRÉDITOS: Diário Goianiense